Autor de livros como Rota 66, que narra a ação da PM de São Paulo na matança de civis entre 1970 e 1992 e Abusado, que mostra a formação de quadrilhas em um morro carioca, o jornalista Caco Barcellos, 57 anos, fala em entrevista à revista VIP sobre o filme Tropa de Elite, que está fazendo um grande sucesso e é comentado em todo o país.
O jornalista diz achar interessante que temas como a violência estejam sendo discutidos, mas acha preocupante a interpretação do público em relação ao filme: "Houve um tempo em que o país não discutia mais sobre segurança pública. Mas a minha preocupação é no sentido de estarem enxergando o personagem central (Capitão Nascimento, interpretado por Wagner Moura) como um herói. E também me preocupo com o fato de ninguém ter discutido ainda as mortes provocadas pelo Bope", analisa. Mas também salienta: "Tropa de Elite é um filme de ficção, o diretor tem toda a liberdade para tratar do que quiser na obra dele. Mas é triste saber que a sociedade está escolhendo um matador para herói".
Para escrever o livro Abusado, Caco freqüentou o Morro Dona Marta durante cinco anos, convivendo com traficantes e moradores e diz que em todo o tempo que ficou por lá colhendo entrevistas, não houve nenhuma morte causada pelo Bope: Naquela época, o Bope tinha uma política de não matar. No período todo em que estive lá, os policiais do Bope nunca mataram ninguém. A política era de se respeitar no morro da mesma forma como se respeitava em qualquer outro lugar. O Bope estava atuando de forma mais eficaz, e o tráfico, na época, estava começando a falir", finaliza.
Trailer do filme de grande sucesso nacional.