A dieta da proteína
Um dos médicos mais renomados nos EUA lança método alternativo
ao de Atkins, baseado em shakes de soja
Na mesma linha das dietas do cardiologista americano Robert Atkins
e de South Beach, surge uma alternativa para os fãs de menus
ricos em proteínas: a L.A. Shape Diet. A novidade é
que esta promove o consumo de proteína de origem vegetal.
Elaborada por David Heber, da Universidade da Califórnia,
ela é centrada no consumo de shakes feitos à base
de leite de soja. Lançado em outubro, o livro The L.A. Shape
Diet está em todas as listas dos mais vendidos e será
lançado no Brasil em julho de 2005. Profissional renomado
mundialmente por seus estudos sobre prevenção de câncer
e alimentação, Heber integra a lista Who's Who in
America (Quem É Quem na América). Seu nome também
consta do ranking The Best Doctors in America (Os Melhores Médicos
da América), feito anualmente com 35 mil profissionais nos
Estados Unidos. Recentemente, esteve em São Paulo para promover
seu método com colegas brasileiros. Nesta entrevista exclusiva
a ÉPOCA, ele explica detalhadamente sua dieta - com a qual
perdeu 14 quilos.
ÉPOCA - O senhor é um seguidor do
Dr. Atkins?
David Heber - Não. Nossos métodos
têm duas grandes diferenças. A primeira diz respeito
à origem da proteína. A dieta do Dr. Atkins é
baseada em proteína animal, que leva a pessoa a ingerir grandes
quantidades de gordura saturada e calorias. A minha é com
proteína vegetal, derivada da soja. E, como complemento,
proteínas de carnes magras. Está provado que grandes
quantidades de gordura saturada e uma dieta hipocalórica
como a do Dr. Atkins não fazem bem à saúde.
ÉPOCA - Qual é a segunda diferença?
Heber - A dieta dele limita severamente o consumo
de carboidratos, enquanto a minha estimula-o através de frutas,
verduras e grãos. Ninguém agüenta viver sem carboidratos,
que têm sua importância em nossa alimentação.
Em seus últimos anos, o Dr. Atkins fez uma revisão
em seus princípios e passou a incorporar o consumo de certas
verduras.
ÉPOCA - Qual é a base de sua dieta?
Heber - Combinar a quantidade de proteínas
com a necessidade do corpo. Em geral, os homens precisam diariamente
de 150 gramas de proteína; as mulheres, de 100 gramas.
ÉPOCA - Esse volume é o dobro do
recomendado pelos órgãos internacionais de saúde.
Por que consumir tanta proteína?
Heber - Existem dois objetivos principais. O primeiro
é controlar a fome. Quando a pessoa está abastecida
de proteínas, o corpo manda sinais avisando o cérebro
que está saciado. Assim este não aciona o mecanismo
da fome. O segundo objetivo é manter uma massa muscular forte
que, por sua vez, permite uma queima maior de calorias.
ÉPOCA - Esses objetivos valem para todas
as pessoas?
Heber - Sim, até mesmo para as magras como
modelos. Elas passam fome porque precisam ser magérrimas.
Se uma modelo ingere pouca proteína, vai perder massa muscular,
levando a gordura corporal a aumentar proporcionalmente. Além
disso, com menos músculo, ela vai queimar menos calorias.
É um ciclo: pouco músculo, muita gordura.
ÉPOCA - O senhor propõe um programa
que promete emagrecer em três semanas. Como ele funciona?
Heber - Com a L.A. Shape Diet, é possível
começar a perder peso em uma semana e estar bem mais magro
em três. Mas é um programa para a vida toda. Na primeira
semana, a pessoa substitui duas refeições por um shake.
A partir da segunda, substitui apenas uma refeição.
E, nas outras, come um prato que mistura proteína de carnes
magras com verduras e frutas.
ÉPOCA - De que é feito o shake?
Heber - Deve ser natural, com leite de soja e frutas.
Se quiser, um pouco de açúcar. Um copo fornece cerca
de 25 gramas de proteínas. É o suficiente.
ÉPOCA - Por que a proteína deve
vir dos shakes? Não pode vir de outro alimento?
Heber - Poder, pode. Mas o shake é a mais
conveniente, fácil e rápida maneira de conseguir a
quantidade necessária de proteína de uma fonte vegetal.
No livro, faço várias composições de
alimentos que rendem 25 gramas de proteína. Uma porção
é igual a um copo de shake ou a 90 gramas de carne branca
magra de frango ou peixe, ou uma xícara de queijo cottage
light. Metade de meus clientes prefere o shake e a outra metade
opta por outras combinações de alimentos. Pessoalmente,
prefiro o shake, especialmente de manhã. Meu café
da manhã é um copo grande - geralmente com morangos.
Minha mulher gosta de shake com chocolate.
ÉPOCA - O senhor acredita que as pessoas
vão suportar tomar shake todos os dias?
Heber - É ideal para substituir o cereal,
o iogurte ou o café com leite. Tem a quantidade de boa proteína
de que o corpo necessita e deixa a pessoa satisfeita por muitas
horas. Quem come cereais pela manhã fica com fome em duas
horas, porque não tem proteínas. Com o iogurte, mais
ainda. E, com fome, qualquer um ataca o pacote de biscoitos ou a
geladeira.
ÉPOCA - No livro o senhor analisa diferentes
formas corporais. Quais são?
Heber - As mulheres têm três formas
e os homens uma. Elas podem ter gordura na parte de cima do corpo,
na de baixo ou em ambas. Homens geralmente têm gordura na
parte de cima. A gordura na parte de cima - rosto, pescoço,
região do peito e da cintura - é mais perigosa porque
provoca várias doenças. Em compensação,
é mais fácil de ser combatida. Já a gordura
na parte de baixo - pernas e bumbum - não traz maiores riscos
à saúde, mas é difícil de ser perdida.
ÉPOCA - As dietas são diferentes?
Heber - Não. Quem tem gordura na parte de
baixo precisa consumir uma quantidade maior de proteínas
para controlar a vontade de comer. Já as pessoas com gordura
na parte de cima devem fazer exercícios diários para
fortalecer a massa muscular.
ÉPOCA - Ou seja: só tomar shakes
não adianta. É preciso malhar?
Heber - Nenhuma dieta é milagrosa. Não
adianta passar o dia todo só tomando shakes e não
se exercitar - que ajuda a queimar calorias e a criar massa muscular,
que também queima calorias. Uma coisa complementa a outra.
Aliás, essa é outra grande diferença: o Dr.
Atkins não era rigoroso na parte dos exercícios; eu
sou.
ÉPOCA - A dieta é para todo mundo?
Heber - Serve particularmente para quem tem medo
da comida. Gente que pula o café-da-manhã pensando
que, assim, vai emagrecer. Depois come pouco no almoço, mas
não agüenta e acaba abusando no jantar. Ou que tem mania
de beliscar. Os shakes ensinam a ter controle da fome. Quando as
pessoas tomam shakes, acham que não estão comendo.
Eles tornam a refeição neutra porque nutrem, mas não
têm o caráter emocional do comer.
ÉPOCA - O consumo de doces e chocolates
é liberado?
Heber - Sempre digo a meus pacientes para prestarem
atenção em mim apenas 86% do tempo. Uma vez por semana,
tenha a liberdade para fazer boas escolhas. As pessoas precisam
ter o direito de comer o que querem depois de se comportar tão
bem. O interessante é que, tendo essa liberdade, não
saem muito da linha.
ÉPOCA - O senhor é contra proibições?
Heber - Sou, porque os pacientes sempre tendem
a fazer o contrário do que a gente manda.
ÉPOCA - Uma dieta baseada em shakes soa
como propaganda, já que um dos patrocinadores de seu instituto
é a Herbalife, multinacional que fabrica shakes emagrecedores.
O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Heber - Faço esse estudo desde 1975. Testei
em centenas de pacientes com obesidade e diabetes a troca de refeições
por uma baseada em leite de soja e provei que dá certo. Eu
faço pesquisa. Meu instituto é bancado pelo Departamento
de Saúde dos Estados Unidos. Nós recebemos fundos
de instituições privadas, mas a L.A. Shape Diet é
baseada em minhas teorias sobre alimentação. Acho
muito importante a universidade contar com o apoio da indústria.
A Herbalife adotou vários princípios de minha dieta
- e não vejo nada de errado. Ao contrário: ajuda a
popularizar os bons hábitos. Não tenho problemas éticos
com isso porque, acima de tudo, acredito nos resultados de minhas
pesquisas.
ÉPOCA - O senhor é contra remédios
para emagrecer?
Heber - Não acredito que eles sejam a melhor
solução. Algumas pessoas, com problemas de obesidade
ligados a aspectos genéticos, podem necessitar de medicação.
Mas é uma minoria. É muito fácil querer emagrecer
tomando comprimidos. Mas está errado, porque põe a
saúde em risco.
ÉPOCA - Em seu livro anterior, Qual É
a Cor da Sua Dieta?, o senhor relaciona sete grupos de cores de
alimentos - frutas e verduras. Quais são eles e quais são
as indicações?
Heber - O grupo da cor vermelha, dos tomates e
das melancias, tem licopeno, substância que diminui o risco
de doenças cardíacas, pulmonares e na próstata.
O da cor vinho, das uvas e dos morangos, tem antocianinas, poderosos
antioxidantes que fortalecem a pele. Também ajudam a retardar
os efeitos do envelhecimento na mente. O grupo laranja, da manga
e da cenoura, possui carotenóides, efetivos antioxidantes
que atacam problemas na visão. O amarelo, da laranja, do
pêssego e do abacaxi, tem vitamina C e flavonóides,
que ajudam no combate às células cancerígenas.
O verde, do brócolis e da alface, tem várias substâncias
que ajudam a eliminar agentes tóxicos do corpo. Por último,
o grupo branco, da cebola e do alho, tem alicina, que melhora a
circulação sanguínea.
ÉPOCA - O senhor é reconhecido internacionalmente
por estudos que relacionam a prevenção do câncer
com alimentação. Qual é a ligação?
Heber - O excesso de gordura, especialmente aquela
no meio do corpo, está ligado ao desenvolvimento de câncer
nos seios, na próstata, no colo do útero e no fígado.
O tecido de gordura dessa região do corpo libera uma quantidade
grande de um tipo de hormônio que as células brancas
do sangue usam para combater bactérias. Quando a pessoa tem
excesso de gordura, libera muito desse hormônio, que, não
sendo usado, acaba provocando um tipo de inflamação
no organismo. E essa inflamação favorece o surgimento
do câncer nesses órgãos. Por outro lado, uma
dieta adequada inibe esse fator de risco. Se os médicos estudassem
Nutrição na faculdade e ensinassem a seus pacientes
o que comer, poderíamos prevenir muitas doenças.
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